quarta-feira, 28 de setembro de 2016

respostas

Questões s/ Paulo FREIRE, (Pedagogia da Autonomia) 1996,capítulo 1
Brasil, Ufla (Lavras, MG), Prof. Dr. Celso Vallin (Dep. Educação), 2014
GDE116 – Escola e Currículo: Política e Planejamento Educacional

Caros e caras estudantes

Essas questões têm o objetivo de ampliar possibilidades de estudo, e de relacionamentos entre estudantes e o texto recomendado. Representam uma forma de você articular seu pensamento com as questões tratadas. Escrever e responder colaboram para o exercício e organização do pensamento. Portanto, tente responder. Escreva as respostas. Anote dúvidas e questões e traga-as para conversar em aula.


1. Sobre o que fala o livro, e que é tratado logo no início do capítulo 1?
2. Qual o sentido de conservador e progressista ?
[saberes que me parecem indispensáveis à prática docente de educadoras ou educadores críticos,
progressistas, alguns deles são igualmente necessários a educadores conservadores.]
3. Freire valoriza mais a teoria ou a prática nos estudos?
4. O que Freire fala sobre a transferência do conhecimento?
5. Procurando fugir da postura de educação bancária, qual a atitude esperada para quem está como
estudante?
6. Descreva ações e atitudes que caracterizam o papel docente no ensino não bancário?
7. O ensino bancário é o mesmo que progressista, ou conservador? Por que?
8. O que é autoridade? O que o autor entende sobre a relação aluno-professor e aluno-aluno e ambos
com o conteúdo de aprendizagem?
9. Imagine uma escola daquelas que são tidas como as melhores, daquelas um belo prédio e todos
os equipamentos possíveis e funcionando, a que é mais procurada pelas pessoas da elite da cidade, e
que tem fama de ter bons resultados? Imaginou? Qual? Agora reflita: pode uma escola assim ser
vista como educação bancária? Por que? O que acontece que faz com que boa parte dessas escola
sejam bancárias?
10. Que exemplos Freire aponta ao falar da incoerência entre o que o/a professor/a diz e o que faz?

REFERÊNCIA
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Torpidade

Celso Vallin 14/09/2016

Torpe... Senti profundo!
Mas hei de mudar o mundo?
Pode ter sido falso, ilusão, mas foi bom.
Sei lá. Estou com o pé no chão.

Tanta coisa já vivi
Sentimentos? Até esqueci!
Passou.
Deixou saudade.
E agora, é só idade

Mas tem vantagem.
Há de ter!
Saber pensar, e saber fazer.
Apesar da pouca emoção...
E cada vez mais rara paixão.

E não pense que já foi diferente.
Cada tempo com sua mente.
O que interessa é que fui gente,
Virei, chorei, mas vivi quente.

Então o que?...
Sei lá!
Deixe correr.
Dependente de um sorriso seu

. . . . . - Celso Vallin - . . . . .


Como posso ficar tão dependente de um sorriso seu?
Essa voz me aquieta.
O toque do telefone me agita.
Sua atenção me apazigua.

Essa emoção não é real.
Mas quanta coisa boba é real!
Não importa que é sonho,
a vida é sonhar.

Eu sou independente como um cão,
forte como um palácio de papel,
insensível como uma raiz de dente.

Ah! Seu beijo assassino me incendeia
Seu carinho me arrepia
Lábios, corpo, montanhas, adrenalina.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

A_DOCÊNCIA_NA_CONTEMPORANEIDADE.

Celso Vallin - fev2015

É com orgulho que participo dessa mesa redonda, inaugural do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Lavras.

Em geral, quem trabalha na escola ou estuda para ser professor/a se queixa do salário que é pouco, da falta de condições de trabalho, mas quando aprofundamos a conversa percebemos que é dada grande importância para o modo como a sociedade, em geral, atribui valor e importância a essa profissão e posição social. Ao analisar essa questão Vivemos dias em que ser professora, ou professor é visto como algo sem prestígio. Mas isso não é completamente verdade. A sociedade comporta-se como um doente com esquizofrenia ou bipolaridade. Ora valoriza e ora desvaloriza a posição docente. Aqui mesmo na Universidade Federal de Lavras, entre nós do Departamento de Educação, como também já vi acontecer em outros lugares, percebi que em certas conversas, em que estão presentes vários professores, usa-se chamar de professor fulano, ou cicrana, como forma de demarcar que aquela pessoa tem maior importância. Isso acontece quando, por exemplo, a pessoa se refere a um colega e ao reitor. Essa pessoa diria “Estarão presentes o professor Celso e a Aparecida”, sendo que ela também é uma professora, mas não recebeu o título. Além disso, pela vida afora percebemos que isso também acontece. Em filmes como “Deus é brasileiro” (dirigido por Cacá Diegues em 2003), não podendo revelar que aquele personagem do Antonio Fagundes era Deus, e o pescador espertalhão vivido por Wagner Moura, passa a chamá-lo de “professor” para demarcar que o outro merece ser visto com destaque, com grande respeito. E funciona. Todos passam a respeitá-lo porque é conhecido como “professor”. Quando queremos dizer que alguém é grande conhecedor de certo assunto ou que tem grande habilidade em certas tarefas dizemos algo como: “Mas o cara é um professor em fotografia!”.

Talvez essa bipolaridade venha do confronto entre o que a cultura nos ensina e o que a realidade apresenta. Culturalmente sabemos que aquele/a que ensina é alguém que sabe mais, sabe das coisas, que merece respeito por isso. E quando chegamos à realidade das escolas e das aulas vemos as dificuldades que são enfrentadas para trabalhar na docência.

Convido nesse momento para vermos esse filme/charge do Maurício Ricardo. Quando o vejo sempre lembro-me de alguém que afirmava que um péssimo filme pode resultar num ótimo material didático. Vamos ao filme: Cotidiano - Questão pedagógica Charges (.com.br)1min26 (05/09/2011).Disponível em <http://charges.uol.com.br/2011/09/05/cotidiano-questao-pedagogica/>. Acesso em 2015.0.25

Viram como um minuto de vídeo pode ser muito provocador? Agora convido vocês a fazerem comentários que reflitam o que vimos, ou seja, dois que mostrem qualidades e possibilidades do trabalho docente, e dois que mostrem dificuldades de problemas.

Quanto ao salário quero lembrar que em 2008 foi aprovada a lei do Piso. Houve uma luta judicial que durou até 2011, a partir de quando deveria estar sendo cumprida. Esse valor é reajustado anualmente e em 2015 foi para R$ 1.917,78. Esse deve ser o salário inicial dos professores de escola pública, com formação de nível médio, leva em conta uma jornada de trabalho de 40 horas semanais.

Junto veio a ideia de um terço da jornada para trabalhos sem alunos, que deve ser vista como um ganho, já que estar em aulas o tempo todo resultaria em ter que levar trabalho para casa, ou trabalhar como se a docência não requeresse planejamento e estudos no individual e no coletivo.
Existe uma Cartilha do Sindiute-MG (SIDIUTE-MG, 2012) que eu recomendo que leiam, que fala sobre a importância de nos apropriarmos adequadamente dessa ideia de que para cada tempo de aula teremos metade desse tempo para preparações.

Quanto às condições de trabalho, eu percebo que nossa sociedade cuida melhor dos banheiros de um chopincenter do que daqueles da escola e isso se dá, em grande parte, porque na escola não são colocados funcionários suficientes para termos o mesmo padrão de atendimento. Há ainda que se observar que qualquer agência bancária usa prédios com finíssimos acabamentos e mobiliário, sendo que se valorizássemos mais as escolas, estaríamos, como sociedade, investindo mais na materialidade do prédio, mobiliário e equipamento. Valorizar o comércio e os bancos mais do que as escolas faz parte da sociedade do capitalismo, na qual o lucro está acima de tudo, todos são educados para a competitividade, as propagandas de radio, TV e outras instituem a ordem do dia e tudo, em geral, nos incita ao consumo desnecessário. É uma organização social que não cria espaços para se cultivar a solidariedade, nem para coisas coletivas, comuns a todos.

Falando nisso lembro-me que falar mal dos impostos faz parte do senso comum, como vemos nas piadinhas que seguem.
As pessoas falam como se qualquer pagamento de imposto fosse indesejável. Não percebemos que para a classe trabalhadora, os impostos são a forma possível para implementar as políticas públicas tão necessárias à justiça social. Ou na dura luta de combate às injustiças sociais que são berrantes no Brasil.

Por isso considero que deveríamos ser contra os empresários e políticos que sonegam impostos (esses que estão no escândalo do HSBC suisso nas últimas semanas), e os que roubam os impostos recolhidos (como os da Operação Lava a Jato), ou desviam para interesses deles e não do povo em geral. Mas não vejo motivo para sermos contra os impostos. Lembro que existem campanhas muito inteligentes e até dispendiosas para nos convencer de que devemos ser contra os impostos, como é o caso do Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo. Devemos pensar que mais impostos nos levam a mais escolas, e a melhores salários e condições de trabalho. Melhor para o Brasil é enxergar o Sonegômetro (ver reportagem em http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/08/1494365-video-sonegacao-deve-atingir-r-500-bilhoes-em-2014-indica-sonegometro.shtml).

E será que, nós e qualquer docente, deveríamos ensinar que é bom termos impostos? Por que a escola não nos ensinou isso, em contraposição ao senso comum? Talvez porque ela vem sendo um instrumento de reprodução do que ai está e não tem conseguido se reinventar.

Entramos num círculo vicioso. Para combater a injustiça social em que vivemos deveríamos ter uma escola crítica. Para isso precisaríamos de boas condições de trabalho, e de professores/as capazes de pensar criticamente. Para isso, dependemos das escolas que formariam esses docentes críticos. Por onde começamos? Como ensinar o que não sabemos?

Podemos ver e refletir sobre que é ser um/a bom/boa professor/a? Pense nisso e depois, compare suas ideias com algumas que aparecem na pesquisa publicada pela CNTE <http://www.cnte.org.br/index.php/cnte-informa/1295-cnte-informa-569-30-de-marco-de-2011/6651-sobre-ser-um-bom-professor-no-brasil.html>.

Mas ser docente hoje envolve ainda muitas questões complicadas com as quais teremos que lidar. Lembro das mídias, computadores e comunicadores digitais. Hoje, uma criança de 9 anos pode aprender a tecer pulseiras, ou fazer pratos culinários requintados, assistindo aulas em um tábleti. Um smartfone permite consultas e comunicações silenciosas dentro de qualquer espaço, até em minhas aulas, ou hoje, nesse lugar e momento. E como são esses conteúdos a que estudantes tem acesso pela internet? O que fazem com o Uatizapi? O que podemos conseguir de bom usando um Faicibuqui? Será que emburrece? Cria dependência? Ou é fonte de renovação didática?

Para finalizar lembro das pessoas que vivem no campo e são do campo. Se eu não falasse talvez muita gente aqui nem lembrasse dessas pessoas. Entre vocês aqui, tem alguém que já estudou em uma escola, ou em uma turma em que as pessoas viviam no campo?

Quando terminarem os estudos e forem trabalhar, estou certo que muit@s de vocês serão docentes de pessoas que vivem no campo. Isso porque estamos longe dos grande centros metropolitanos. No curso que iniciam tem uma disciplina que é chamada Educação do Campo. Em outras universidades pelo Brasil existem licenciaturas que são totalmente voltadas para a Educação do Campo. Hoje, os movimentos sociais como o MST acreditam que é possível construir um projeto de vida social diferente, com mais solidariedade, com plantações agroecológicas, mais respeito à natureza e às pessoas. Apoiados em Florestan Fernandes, Paulo Freire e outros autores o movimento pela Educação do Campo trabalha para criar escolas diferentes. Mas não vou conseguir falar disso hoje. Fica só a provocação para despertar a curiosidade.

Obrigado pela atenção. Por favor, não façam só perguntas para nós, mas falem por vocês e conosco.

REFERÊNCIAS
SINDIUTE-MG Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais. Cartilha 1/3 da jornada do/a professor/a para hora-atividade é legal é essencial para uma educação de qualidade. Belo Horizonte, Sindiute-mg, Março/2012. Disponível em

<http://www.sindutemg.org.br/novosite/files/cartilha-hora-atividade.pdf>. Acesso em 2015.02.25
Questões_Sobre_o_Vídeo_“Em_busca_da_terra_sem_veneno”
Brasil, Ufla (Lavras, MG), Prof. Dr. Celso Vallin (Dep. Educação), 2014-2
GDE116 – Escola e Currículo, Política e Planejamento Educacional

De acordo com o que está dito no vídeo “Em Busca da Terra Sem Veneno” (ver referências), a ser exibido em aula, responder às questões abaixo. Entregar individualmente e em papel.

1- No que consiste a reforma agrária (RA)?

2- Cite ao menos 2 países que historicamente fizeram RA.

3- Por que, países que hoje são considerados desenvolvidos fizeram a RA?

4- Ao longo da história, quais as cinco ocasiões em que aconteceram revoluções no Brasil, e que teria havido oportunidades de terem feito a RA?

5- O que faz com que os salários de trabalhadores sejam baixos?

6- Aponte ao menos 4 características constituintes da agroecologia?

7- Que relações existem entre as ideias desse vídeo e essa disciplina?


REFERÊNCIAS
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Imprensa Oficial, 1988. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em 2014.05.05.
BRASIL, Lei 9.394/96 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional (LDB). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez. 1996. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm>. Acesso em 2013.01.30.

Em Busca da Terra Sem Veneno – Documentário com direção de Noilton Nunes. Produção: Regina Abreu e Pedro Sol. Realização: Imagine Filmes. Ano: 2011. Duração: 39 minutos. Vídeo. A partir da palestra de João Pedro Stédille, líder do MST - Movimento dos Sem Terra, durante a 37a. Jornada Internacional de Cinema da Bahia em 2010. Disponível em <http://youtu.be/-u3_D-d5sAw>. Acesso em 2014.08.14

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Política como decisão.
Brasil, Ufla (Lavras, MG), Prof. Celso Vallin (Dep. Educação), 2015-1

GDE116 – Escola e Currículo, Política e Planejamento Educacional


1. Reflexões iniciais - O objetivo dessa sequência de atividades é o desenvolvimento do tema política, como forma de decisão de interesses coletivos, sociais, e da percepção de que a história é construída por nós, sujeitos sociais, dando ênfase aos papéis da educação na contínua reconstrução social. Com isso queremos provocar reflexões críticas e problematizar temas que serão estudados na disciplina.

Pelo dicionário Michaellis (http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/) política é a arte ou ciência de governar, de organizar, dirigir e administrar nações ou instituições. Se entendemos que todas as pessoas devem ser sujeitos das decisões que lhes tocam, pensamos na democracia participativa e no diálogo democrático como base dessa política, ou como base da arte de governar, administrar. Políticas, podem ser princípios e medidas postos em prática por instituições governamentais e outras, para a equacionamento de desafios sociais. Dessa forma as políticas podem ser colocadas em forma de lei. Por isso estudaremos leis e movimentos sociais relativos à educação.

DEPENDE DE NÓS (anterior a 1997; 3 min)
– de Ivan Lins (RJ, 1945) e Vitor Martins (Ituverava, SP, 1944)

Depende de nós
Quem já foi ou ainda é criança
Que acredita ou tem esperança
Quem faz tudo pra um mundo melhor

Depende de nós
Que o circo esteja armado
Que o palhaço esteja engraçado
Que o riso esteja no ar
Sem que a gente precise sonhar


Que os ventos cantem nos galhos
Que as folhas bebam orvalhos
Que o sol descortine mais as manhãs

Depende de nós
Se esse mundo ainda tem jeito
Apesar do que o homem tem feito
Se a vida sobreviverá
Para escutar entre em <http://letras.mus.br/ivan-lins/46434/>

TRAB3 - Um desenho 
2. Questões propostas:
Quem manda na sociedade brasileira? Como manda?
Como as principais questões do coletivo da sociedade são decididas?
Quais são e como funcionam as instituições de decisão sobre as principais questões de nossa vida em sociedade?
Quais são as principais características de funcionamento e formas de ingresso nos locais de poder de nossa sociedade?

Estratégia de trabalho:
Cada estudante ou dupla deverá criar um desenho, com símbolos, nomes, flechas e ligações procurando explicar e ilustrar as questões acima.


3. Troca de ideias 
Dividindo a turma em 4 grupos, cada pessoa ou dupla apresenta seu desenho e explica.


4. Síntese coletiva 
Construir um desenho e explicação coletivos. Uma pessoa de cada um dos 4 grupos apresenta ao coletivo e explica.

TRAB4-  Anotações, memória
Para uma reorganização mental individual, rever e organizar anotações, e para ter uma memória do que cada estudante entende que seja o principal, tratado nas discussões e estudos. As anotações devem ser entregues (1 página).

Para saber mais:
FLORESTAN, 2004 (Você torce para o Brasil? Como você torce? Torce pela educação? Como?)
TV CULTURA, 2013


REFERÊNCIAS

EM BUSCA DA TERRA SEM VENENO. Documentário com direção de Noilton Nunes. Produção: Regina Abreu e Pedro Sol. Realização: Imagine Filmes. Ano: 2011. Duração: 39 minutos. Vídeo. A partir da palestra de João Pedro Stédile, líder do MST - Movimento dos Sem Terra, durante a 37a. Jornada Internacional de Cinema da Bahia em 2010. Disponível em <http://youtu.be/-u3_D-d5sAw>. Acesso em 2014.08.14
FLORESTAN Fernandes – o Mestre. Documentário. 46min. Direção, edição e pesquisa: Roberto Reis Stefanelli. TV Camara. Fev/2004. Disponível em <http://youtu.be/iJxJd0jXuWw>. Acesso em 2014.08.16.
TV CULTURA. Programa Provocações (com entrevistas feitas por Antônio Abujamra) com o líder do MST João Pedro Stédile - 08/01/2013. 25 minutos. Disponível em <http://youtu.be/rf_oVhMBtx8>. Acesso em 2014.08.12.





domingo, 4 de maio de 2014

O_problema_da_autoria.

Celso Vallin, 2005


Será que é importante colocar o autor e a fonte como quando mostramos um texto a alguém?

E como fazer se também recebemos esse texto de outra pessoa que não colocou nenhuma referência?

Dá para acreditar no que se recebe pela internet?

Como saber se uma informação é séria, e até que ponto podemos confiar?

Nestes dias recebi uma mensagem bonitinha pela internet. O título chamava a atenção: “A idiotice é vital para a felicidade”.

Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, [...] um tratado? [...]

Se você fizer uma busca na internet usando a primeira expressão (“Gente chata essa que quer ser séria”) encontrará centenas de endereços que contém esse texto. É uma mensagem positiva, que pretende animar as pessoas.

Embaixo da mensagem que recebi estava escrito “Arnaldo Jabor”, como se ele fosse o autor. Olhando depois em outros endereços pela web, conclui que este texto não deve ter sido escrito por ele. A maioria dos endereços que vi atribui a autoria a Ailin Aleixo, colunista da revista Vip.

E se eu tivesse passado a mensagem adiante, a alguns amigos? Estaria transmitindo uma mentira sobre a autoria do texto. E saiba que o texto me foi enviado por uma grande amiga, diretora de escola, muito séria e competente. Ela não é novata na internet, e caiu nessa armadilha.

Como saber se alguma coisa que recebemos pela internet é verdadeira ou falsa?

Muitas vezes quem passa adiante sem questionar a fonte, está contribuindo para uma cadeia de boatos, mentiras, que pode causar transtornos e mal entendidos.

Depois disso, encontrei uma coisa mais curiosa ainda. É um texto do próprio Jabor, reclamando sobre a falsa autoria.

Toda hora, alguém me pára na rua: “Adorei a sua ‘bunda’!” “Que bunda, cara?” — digo, fingindo que não sei o que é. Não dá outra: “Aquele texto seu, que idéias, que ironias..”, me responde. Fico louco, porque estou sendo elogiado justamente pelo que não fiz. (texto publicado no jornal O Globo, em 31/08/2004, e também disponível em http://www.bobflash.com.br/franquias/recife/colunas/coluna_show.php?materia=455)

Há outro artigo semelhante, publicado no jornal “O Estado de São Paulo”, em que Arnaldo Jabor também fala do “bunda dura”.

...descobri na internet que sou uma besta quadrada mesmo ... Ando pela rua e as pessoas me abordam: “Adorei o seu artigo ...” Pergunto, já com medo: “Que artigo?” “Esse texto genial que você escreveu e que todo mundo me mandou. Chama-se Bunda Dura.” ... mas respondo: “Não fui eu quem escreveu esse texto!” ... sou amado pelo que não sou. (Arnaldo Jabor - Caderno 2 [20/07/2004]. Disponível em http://www.estadao.com.br/ecolunistas/jabor/04/07/jabor040720.htm)

Estas informações são boas para se provocar uma discussão sobre a autoria e as estratégias que temos para saber em quem confiar.

Há quem diga que o que nos deixa inseguros e vulneráveis é a internet. Mas, e se fosse para selecionar um texto que encontrássemos numa banca de revistas? Seria diferente? E se a mensagem tivesse chegado em papel, trazida pelo correio? Faria alguma diferença?

Veja em:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult513u153.shtml
No artigo “Já sei namorar“, publicado na Folha On Line em 05/06/2004, o articulista fala de um texto recebido de uma leitora dele, que é “um pensamento enviado por outra amiga [...], que é equivocadamente atribuído a Mario Quintana, mas que na verdade é de autoria de Marta Medeiros.

Que confusão. Não é?

Pode conferir. Procure por
Promessas Matrimoniais” + “Mário Quintana”
e encontrará mais de vinte endereços.
Mas, se procurar por
Promessas Matrimoniais” + “Martha Medeiros”
encontrará este texto em mais de sessenta endereços. Em geral trata-se de blogs, ou seja, anotações pessoais compartilhadas. Um deles parece ter sido escrito pela própria Medeiros.
http://www.rainhadam.com.br/marthamedeiros1.html

Se olhar em
http://www.rainhadam.com.br/marthamedeiros4.html
encontrará a “Crônica sobre a Desinformação” em que a própria Martha Medeiros (13out03) reclamava das “clonagens literárias: textos que circulam pela Internet com a autoria trocada”.

Por aqui se pode ver que não é de hoje que há pessoas queixando-se dos problemas da autoria. Mas, será importante mesmo saber se o texto é de Quintana ou de Medeiros? Será importante saber se é um texto contemporâneo ou se foi escrito há 20 anos?

Consigo ver pelo menos duas coisas em jogo, aqui. A primeira é a confiabilidade. A confiança no que estamos lendo. Conforme conhecemos pessoas, empresas ou instituições, começamos a acreditar nelas, ou também passamos a desconfiar do que dizem. Queremos educar pessoas para serem críticas. Queremos também que sejam responsáveis, solidárias, justas, amigas... Mas críticas! Ser crítico é o contrário de ser inocente. É saber perceber mensagens e intenções que estão nas entrelinhas. É não se deixar enganar facilmente.

A leitura ainda é uma das bases de informação de quem quer entender o mundo, e se articular dentro dele.

Mas será que quando recebemos a informação falada, e não pela leitura, as coisas são diferentes? Podemos acreditar em tudo o que vemos na TV, ouvimos no rádio, ou escutamos da boca de conhecidos?

Muitas vezes confiamos em informações sem questionar. Acreditamos e pronto.

É verdade que é mais confortável e à primeira vista, mas gostoso, acreditar e pronto. O problema é que não dá certo. A mentira ou as meias verdades acabam provocando incoerências e não se mantêm. Levam-nos à confusão e ao erro.

Apesar de a internet ser uma novidade e gerar insegurança, podemos usar os mesmos critérios que usamos para confiar e desconfiar dos textos escritos em papel, ou do verbo falado (na TV, no rádio, ou da boca de conhecidos). Muitas vezes a aparente perfeição estética dos textos da internet ilude o leitor. Parecem acima de qualquer suspeita. Poderíamos dizer: se está escrito com letras bonitas e aparece na telinha é confiável. Mas não é assim. Não se pode confiar sem questionar, nem nas letras bonitas, nem nas falas bonitas.

Como confiar desconfiando?

A primeira coisa que se vai aprendendo é que cada pessoa ou instituição tem uma história. O jornal “O Estado de São Paulo”, que publica os artigos de Arnaldo Jabor, tem uma história e com ela construiu uma confiabilidade. O mesmo pode ser dito da “Folha de São Paulo”, da rede Globo de TV, e assim de tantas outras instituições. Quem assina, faz história. Quem tem história, cuida do que faz e diz.

Não que estes não errem. Todos podem errar. E erram. Mas existem cuidados e critérios. A confiança não quer dizer certeza. Deve-se lembrar que nada é absoluto, e nem definitivo. Sempre é possível encontrar mais de um ponto de vista. Mesmo assim, podemos ter alguma confiança, devido à história do autor, quando a conhecemos.

Então... O primeiro critério é saber quem está escrevendo, e conhecer um pouco de sua história, que logo nos dará alguma confiabilidade. Ou não! Mas pelo menos paramos para saber com quem estamos “falando”.

O que mais pode nos dar confiabilidade?
O cruzamento de informações é um critério possível. Se pegarmos informações coerentes em fontes diferentes e independentes, isso também nos aumenta a segurança.

A realidade é outra coisa que ajuda a ter confiança. Palavras são como teorias. São idéias. Quando procuramos aplicar as idéias a situações conhecidas, de lembrança, ou em ensaios, isso também nos leva à segurança. A articulação entre teoria e prática é um fator de confronto. As boas idéias vão dando certo com as práticas. Outras idéias vão se incompatibilizando com as situações reais.

Mas, quando questionei a importância da autoria, disse que via pelo menos duas coisas em jogo. A outra é que hoje em dia a escola deseja que o aluno seja autor.

Não desejamos um aluno que seja simplesmente disciplinado e obediente, e que repita e reproduza coisas ensinadas. Queremos mais. Queremos um aluno com opinião e atitude, assumindo e desenvolvendo seus potenciais humanos.

Ser autor é assinar embaixo (ou em cima, hahaha!). É assumir o que está fazendo. É importar-se com o que está produzindo. Ser autor é sentir-se responsável pelo que está sendo criado: um texto, uma apresentação falada, gravada ou não, uma foto, uma seqüência de slides, ou qualquer tipo de áudio-visual.

Por isso, o educador que quer um aluno autor, precisa discutir a questão da autoria. Precisa incentivar seus alunos a assinarem o que produzem e precisa valorizar e ensinar a dar valor ao registro da autoria, e às fontes de referência. Seja na internet, ou não. A questão é a mesma.

O assunto não se esgota aqui. Mas acredito que está claro que há alguma coisa na autoria, que deve ser olhada. Colocar e ler o nome do autor nunca mais será só um detalhe, ou uma formalidade. Por trás daquela observação estará alguém, com seu jeito de olhar o mundo. Aquela paradinha para saber com quem estamos “falando” ajudará a estabelecer relações entre as novas informações e toda a rede de conhecimentos que já temos.

Quer fazer uma brincadeira? Procure por este texto na internet: "A idade vai chegando e com o passar do tempo, nossas prioridades na vida vão mudando" e tente descobrir se a autoria é mesmo de Mario Quintana. Discuta com seus amigos sobre os critérios que o levam a confiar ou a desconfiar dessas informações. Entre os endereços encontrados quais são mais confiáveis? Por que?

Para finalizar, aqui vai um adendo. A NBR6023/2002 é a norma que regulamenta as referências. Referência é um conjunto de elementos, retirados de um documento, que permite sua identificação no todo ou em parte, impresso ou registrado em outro tipo de suporte. Uma explicação simples sobre como fazer referência bibliográfica a um documento pode ser vista em:
http://www.quatrocantos.com/tec_web/refere/5DCONV.HTM

Uma explicação mais completa pode ser vista em http://www.bu.ufsc.br/home982.html

Ou em http://www.cdcc.sc.usp.br/cda/sessao-astronomia/sessao-astronomia-padrao/referencia-bibliografica-ufrgs.htm